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sábado, 19 de setembro de 2009

Tutorial - Captadores

Você guitarrista já deve saber que seu instrumento possui uma série de fatores que determinam o som que você produz. Desde a palheta até a madeira do instrumento, tudo influencia na qualidade do som. Por isso resolvi escrever sobre aquele que considero o mais determinante de todos os fatores: os captadores.

Mas o que são captadores? São aquelas pecinhas retangulares que ficam próximo da parte onde a mão direita atinge as cordas, bem no meio do corpo da guitarra. Tecnicamente falando, são bobinas, fios enrolados de forma precisa dentro dessa caraça retangular, que foram calculadas para trabalhar com a interferência dos sons criados pela vibração das cordas, transformando essa vibração em sinais elétricos.

Normalmente são utilizados em três posições:

- próximo ao braço da guitarra, chamado de rhythm, front ou neck;
- próximo a ponte onde as cordas são presas, chamado de treble, bridge ou rear;
- no meio, bem no centro do corpo da guitarra, chamado de Center ou middle.

Se você prestar atenção, até mesmo num violão você percebe que uma nota qualquer tocada perto da ponte soa bem mais aguda do que uma tocada próxima ao braço. Faça o teste caso não tenha percebido ainda. Isso mostra a primeira característica de versatilidade dos sons dos captadores, que nada mais é do que seu posicionamento. Um mesmo captador pode ter até três timbres diferentes somente pelo posicionamento junto ao corpo da guitarra. Já vi até alguns guitarristas malucos utilizando um captador literalmente no braço da guitarra, em meio às escalas. Tudo em busca de um som original.

Outro fator que muda totalmente o som de um captador é seu tipo. Vamos ver os principais:

Single-Coil: Como o nome já diz, é feito com apenas uma bobina. Por essa razão, sua característica principal é um som bem agudo e limpo. Praticamente todos os captadores Single-Coil que já vi têm certo ruído, isso porque a bobina acaba captando interferências. Até por uma questão histórica, os Single-Coil tiveram seus formatos definidos por Fender e Gibson, sendo esse primeiro o que mais se difundiu. Pessoalmente, curto muito esse tipo de captador para utilizar efeitos como alavancadas com Floyd Rose e Harmônicos, porque os Single-Coil têm características de sustain bem legais.

Humbucker: São formados por duas bobinas ligadas em série. É bem interessante, pois a corrente elétrica circula em direção oposta nas duas bobinas, e isso elimina o ruído. Diferente do single, o Humbucker tem um som bem pesado, encorpado e grave. Por experiência própria, indico Humbuckers para quem curte guitarras Les Paul, fica fantástico. E são raras as exceções que dão certo com Floyd Rose, mas com paciência pode-se achar uma regulagem boa ocasionalmente. Os Humbuckers têm vários formatos, capas e até bobinas expostas. Tem até Humbucker em formato Single-Coil, com duas bobinas sobrepostas.

Tri-Bucker: Simples definir esse. É a mistura de um humbucker com um single-coil. O preço também é uma combinação dos dois.

Quad-Rail: Combinação de quatro bobinas em dois pares, simulando dois humbuckers lado a lado.

Existem outros tipos como os Hexafônicos, o Piezo e outros, mas esses que citei são realmente os principais.

Além do posicionamento e dos tipos, os captadores também têm diferentes timbres. Os captadores Vintage são bem equilibrados no que diz respeito a timbres. Os Vintage são utilizados por músicos mais ecléticos, sobretudo jazzistas e funkeiros (não confunda com o funk do Rio de Janeiro, aquela merda, esse funk que digo é um estilo oriundo da soul music). Já os captadores de alto ganho são para metaleiros e rockeiros, pois o crunch é muito potente e equilibra bem o grave e o agudo, podendo ser usado para solos melódicos ou fritados. E os de ganho médio são indicados para baladeiros, por ter um brilho bem destacado e por ser muito bom para som limpo.

Existe um material magnético que compõem os imãs do núcleo dos captadores. Como você imagina, isso muda também os sons dos captadores. Temos dois tipos principais de materiais dos imãs do núcleo, o Alnico e o Cerâmico. O Alnico é feito de uma liga que proporciona melhor qualidade de condução elétrica. Como efeito no som, destaca os harmônicos e melhora sensivelmente a qualidade do som no que diz respeito à definição. Claro que por ser de um material excelente, o preço do captador sobe muito. Já os Cerâmicos têm um custo menor e teoricamente uma qualidade inferior, mas já experimentei cerâmicos bons, com sons suaves e definidos.

Que eu me lembre, só tem mais um fator que os captadores apresentam que tem importância grande para o som. Os captadores podem ser Passivos ou Ativos. Sem piadas, por favor. Os Passivos dominam o mercado. São captadores considerados autônomos, por reagirem bem sem necessidade de pré-amplificação. A interação com vários tipos de madeiras distintas, regulagens, amps, pedaleiras, tudo funciona bem. Destaca-se bastante porque permite uma variedade de sons somente com mudanças de regulagens básicas, sem necessidade de mexer com o captador. Não necessitam de alimentação elétrica. E o Feedback é excelente.

Os Ativos são de baixa impedância, e precisam de alimentação elétrica para funcionar. Pra mim, o grande defeito dos Ativos é o excesso de filtragem, que acaba prejudicando um pouco os sons rasgados e sustains. Mas por outro lado, não têm nenhuma interferência. Acho que é mais indicado para sons limpos, principalmente em gravações. Mas já vi gente que se deu bem com captadores ativos, que surpreendentemente se adaptaram a guitarra com sons sujos.

Se você leu tudo, obrigado pela paciência. É um assunto longo, mas bem interessante, que talvez esclareça alguns dos mistérios sobre essa peça que é fundamental para as guitarras. Lembre-se que as opiniões aqui apresentadas são meu ponto de vista, e não são regras. Cabe a você guitarrista fazer muitas experiências e depois definir sua configuração de captadores. Também não tenho intenção de promover marcas, não ganho nada com isso. Mas acho importante passar a informação adiante, como um dia me passaram.

Só finalizando, compartilhe sua configuração de captadores com a gente, postando um comentário. Talvez possa esclarecer a dúvida de alguém. E trocar idéias sempre é bom. Abaixo coloquei alguns links de sites com informações de fabricantes.

Captadores - Fender

Captadores - DiMarzio

Captadores - Seymour Duncan

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Top 10 - Baladas de Violão

Ae Galera. Diversas vezes eu me pego pensando em Top 10. Faço vários rankings na minha cabeça. E agora com o Blog eu pretendo pouco a pouco mostrar alguns deles, e também peço que vocês respondam ai quais as suas favoritas.

10º Lugar – Rosa de Saron – Música: Sem você – Álbum: Acústico e ao vivo
A banda Rosa de Saron é uma das pioneiras do Rock Católico. Desde o final dos anos 80, a banda se apresenta pelo Brasil. Inicialmente a banda tocava Heavy Metal, mas devido a várias mudanças de formação e também de influências, a banda atualmente toca um Hard/Pop Rock que tem feito muito sucesso não só no meio católico, mas também no secular. O Atual vocalista, Guilherme de Sá, tem uma voz singular. Essa versão acústica conta com a participação do guitarrista Demian Tiguez.

9º Lugar – Zakk Wylde – Música: Dead as Yesterday – Álbum: Book of Shadows
O moleque dispensa comentários. Zakk é simplesmente um dos maiores guitarristas da atualidade. Tocando atualmente com Ozzy, Zakk Wylde teve a dura missão, quase impossível, de substituir o lendário Rhandy Rhoads depois que este morreu prematuramente em 1982. Zakk participou de diversos projetos em todos esses anos de carreira, e essa música é uma bela composição feita para seu CD solo. Além de tocar muito, o cara também canta bem.

8º Lugar – Pink Floyd
Música: Wish You Were Here – Álbum: Wish You Were Here
Outro monstro da guitarra, David Gilmore. Compôs essa que é uma das baladas mais bonitas do Rock. Rapidamente tornou-se um dos maiores sucessos do Pink Floyd. Com a ajuda de Roger Waters, finalizaram a composição para o álbum homônimo.

7º Lugar – Green Day – Música: Good Riddance (Time of Your Life) – Álbum: Nimrod
Antes de se tornar emo e se vender completamente para a mídia, o Green Day era uma banda de valor. Sempre mantinham o estilo Punk Rock vivo junto com bandas como The Offspring. E no meio de tantas músicas Punk, compuseram uma balada muito bonita em 1997, para o álbum Nimrod. Bem simples, mas o resultado final é muito bom e a voz de Billie Joe ficou muito boa nessa música.

6º Lugar – Alanis Morissette – Música: King of Pain – Álbum: Alanis MTV Unplugged
Uma das figuras mais importantes do Pop Rock, Alanis já ganhou diversos prêmios em sua carreira, entre eles o Grammy e o Juno Awards. Essa música é um cover da banda The Police. Em minha opinião, ficou muito melhor que a versão original. A voz de Alanis e os arranjos do violão ficaram impecáveis.

5º Lugar – Dream Theater – Música: Silent Man – Álbum: Awake
A banda que amo odiando e que odeio amando. O Dream Theater com certeza teve e tem seus momentos de altos e baixos, mas a época do álbum Awake foi simplesmente fantástica. Entre as maravilhosas músicas desse álbum está a balada "Silent Man". Surpreendentemente, James Labrie canta bem nessa faixa, e sobre John Petrucci... Bem, não vamos chover no molhado.

4º Lugar – Eric Clapton – Música: Tears in Heaven – Álbum: Unplugged
O grande mestre do Rock/Blues sempre marcou época. Suas composições brilhantes sempre tiveram destaque em todas as épocas. Infelizmente, essa música foi inspirada pela maior tragédia de sua vida, a morte de seu filho. O garoto de 4 anos caiu de um prédio em Nova York, do alto do 53° andar. Clapton superou a perda compondo uma obra prima, aclamada em todo o mundo e ganhadora de vários prêmios.

3º Lugar – The Nixons – Música: Sister – Álbum: Foma
Poucos conhecem essa banda pelo nome, mas com certeza conhecem essa música. A banda The Nixons surgiu nos anos 90 após o movimento Grunge. A música mais famosa da banda entrou no álbum "Foma" de 1995. Foi simplesmente a balada mais tocada nas rádios e ainda é tocada até hoje. Muito bonita essa canção.

2º Lugar – Mr. Big – Música: To Be With You – Álbum: Lean into It
Uma das minhas bandas favoritas, Mr. Big nasceu brilhando em 1988 com músicos de peso e composições Hard Rock fantástica. A canção foi composta pelo vocalista Eric Martin. Mas foi o toque nada sutil de Paul Gilbert que deu o toque final para que a música fosse um sucesso absoluto. Excelente música, com um solo muito bem feito.

1º Lugar – Extreme – More Than Words
Não poderia ser outra. Simplesmente a maior balada da história do Rock. Essa música ficou tão famosa que marcou o Extreme profundamente, e um pouco negativamente. Muitas pessoas nem conhecem as outras músicas da banda. Outros pensam que essa é uma banda pop qualquer que fez uma balada de sucesso apenas. Mas a verdade é que a banda Extreme é muito competente, tem outras músicas fantásticas, e tem um guitarrista fora do normal, o grande mestre Nuno Bettencourt. Recomendo essa banda pra quem curte rock e ainda não a conhece. E voto nessa como a balada número 1 de todos os tempos. Detalhe: A versão tocada nas rádios é cortada. Essa música tem um arranjo final que é cabuloso.

Concorda? Discorda? Poste um comentário ai pra gente discutir.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

O vírus do Rock


Enfim, os anos 70, a geração da TV. Nessa década, o mundo viu o desenvolvimento do Rock. Os anos 60 apresentaram e popularizaram o Rock, mas ainda sim as bandas mantinham certo padrão no som e nas apresentações. Resumindo, seguiam uma fórmula que estava funcionando. Uma banda ou outra aparecia inovando e o que funcionava todo mundo copiava.

A partir dessa década, o Rock passou a ser como a gripe, mutável. Os estilos eram tão diferentes uns dos outros que até geravam dúvidas se era realmente Rock. Não sei ao certo, mas tudo indica que a palavra “vertente” começou a ser utilizada nessa época para definir os estilos. Tudo era Rock, mas cada um do seu jeito. E o primeiro estilo de Rock criado foi definido como Classic Rock, rótulo dado as bandas da década de 60.

O Rock Progressivo oriundo dos anos 60 se espalhou. Pink Floyd e Yes no auge, e Rush finalmente se estabelecendo com Neil Peart na bateria. E mais um monte de bandas, entre elas King Crimson, Jethro Tull, Emerson Lake and Palmer, Love e Gênesis. O Rock Progressivo ganhou força nessa década e é considerada a vertente mais abrangente do Rock. A liberdade que os compositores se davam era tanta que simplesmente viajavam nas músicas e se esqueciam do tempo. Passavam por todos os tons, todas as escalas, todas as métricas, todos os ritmos. E foram os pioneiros da mistura de música clássica com som pesado. Talvez seja o mais surpreendente de todos os estilos de Rock.

Outro estilo de Rock, o Glam Rock, também apareceu. Pelo nome já é possível imaginar como eram as apresentações dessas bandas. Muita purpurina, glitter, maquiagem, cabelos estranhamente longos e cacheados, e roupas coloridas. Hoje podemos até achar estranho, ou homossexual, mas era a moda que criaram. O maior representante desse estilo foi com certeza David Bowie, na época do álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust. Eu nunca curti muito esse estilo, mas reconheço que teve uma participação importante na história do Rock, principalmente para o Rock dos anos 80. Scissor Sisters, The Velvet Underground, T. Rex e The New York Dolls foram outras bandas do estilo que tiveram grande destaque na época.

O Punk Rock também nasceu na década de 70. Na verdade o Punk surgiu num momento em que o Rock em geral vinha caindo em popularidade. Os Hippies mantinham o Rock vivo com o Rock Progressivo, mas a música Disco cresceu com tanta força que deixou o Rock de lado. Nessa época surgiram bandas como Ramones, The Clash, Sex Pistols, The Stooges e Dead Kennedys. Ressuscitaram o Rock com letras simples, agressivas e diretas, que falavam basicamente de drogas, adolescência e brigas. As melodias eram simples e rápidas, e os músicos não tinham técnica nenhuma. Priorizava a diversão imediata e não tinha motivos para reflexão nas letras. A figura de Iggy Pop do The Stooges marcou o Punk Rock, com sangue nos palcos e uma cara de dar medo. E outra banda de destaque foi o Sex Pistols.

Para minha alegria, o Heavy Metal também apareceu nessa década. Com uma mistura do Blues e do Punk Rock, o Heavy Metal surgiu com força no cenário Rock da época. O preto prevalecia como preferência dos metaleiros. O figurino era composto de jaquetas e calças de couro, luvas num estilo de motoqueiros e correntes. O Heavy Metal nasceu para ser mais dark que o Punk, indo até longe demais com o satanismo em suas letras. Sua principal característica não era só um som sujo, mas também pesado ao extremo. Muitas das grandes bandas de Heavy Metal surgiram nessa década. Black Sabbath, Deep Purple, Aerosmith, Led Zeppelin, Kiss, Iron Maiden, Judas Priest, Rainbow, Scorpions, Alice Cooper, para citar algumas. Pode-se dizer que dentro do Heavy Metal surgiram várias “sub-vertentes”, e por isso postarei futuramente um texto só sobre o Heavy Metal.

Em geral, os anos 70 marcaram a história do Rock como a época em que tudo inspirava Rock. Diversas composições distintas, mas com o mesmo impacto e com a mesma intenção. Para se manter vivo contra a onda New Wave e a Disco Music, o Rock se reinventou e se espalhou rapidamente de várias formas diferentes, como um vírus. E mal sabiam os protagonistas desse marco que preparavam uma ponte para a próxima geração, e que eternizavam ali seus nomes na história do rock.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Acontece com os melhores

Woodstock. Bethel, New York. Dia 17 de Agosto de 1969. Um cenário estranhíssimo para os padrões da época. Milhares de jovens protestavam contra a guerra do Vietnã, e aproveitavam o protesto como desculpa para a libertinagem, rebeldia e uso de drogas. Mais de 500.000 pessoas assistiram naquela tarde de domingo aquele que é considerado o show mais marcante do guitarrista mais influente da história do rock, Jimi Hendrix.

Hendrix nasceu em Seatle, E.U.A., em 1942. Enfrentou alguns problemas familiares, como o divórcio de seus pais, e sempre foi um garoto responsável que cuidava de seu irmão mais novo. Aos 16 anos, ganhou de seu pai um instrumento de cordas havaiano chamado Ukelele. Depois disso comprou sua primeira guitarra acústica por meros U$ 5,00.

Jimi Hendrix tinha um talento natural para a música, em especial para tocar guitarra. O curioso e que ele era canhoto e na época não existiam guitarras para canhotos. O jeito foi adaptar uma guitarra de destro. Diferente do que muitos dizem, ele não tocava com as cordas invertidas. Rapidamente ele aprendeu a tocar e iniciou sua carreira como músico profissional.

Ele começou sua carreira tocando em bandas de apoio a B.B King e Little Richard. Nesse tempo se aprimorou e criou seu estilo próprio, baseado em suas influências de soul e R&B. Mas se destacou realmente ao participar da banda The Isley Brothers e quando criou sua banda própria, chamada Jimmy James and the Blue Flames. Conheceu grandes músicos como o mestre Frank Zappa, que lhe apresentou o pedal de Wah Wah do qual Hendrix se utilizou para criar muitas inovações na música. Foi descoberto por uma grande gravadora britânica e foi levado para Londres, a então capital do Rock, e lá fundou a banda The Jimi Hendrix Experience, com Noel Redding no contra-baixo e Mitch Mitchell na bateria.

Foi nessa época que Hendrix ficou conhecido no mundo todo. Compôs diversas músicas brilhantes como "Foxy Lady", "Purple Haze", "Little Wing", e foi reverenciado por grandes mestres do rock como The Who, Eric Clapton, Beatles, Frank Zappa e Jeff Beck. A música "Hey Joe" o consagrou como uma estrela, definitivamente. Tocou com diversos músicos da época, gravou vários álbuns e finalmente fundou a banda Gypsy Suns and Rainbows, com a qual participou do festival mais famoso da história do Rock.

Woodstock foi um evento fantástico. Foram 3 dias com shows dos maiores artistas da época. Realmente foi um marco na história do rock. Artistas do calibre de Carlos Santana, Janis Joplin, Greatful Dead, The Who e Creedence Clearwater Revival haviam tocado no sábado. Joe Cocker, Johnny Winter e outros grandes haviam tocado no domingo antes de Hendrix. Mas parecia que tudo estava certo para que o melhor realmente fosse mostrado no fim.

Sabe aquela frase que a gente fala quando faz merda, "acontece com os melhores", então... naquele domingo em Woodstock aconteceu com "o melhor". O que prometia ser o maior show da história foi um enorme fiasco. Hendrix estava drogado ao se apresentar e foi notória a falta de ensaios da banda. Lembre-se que eu disse no início que foi o show mais marcante da carreira de Jimi Hendrix. E, infelizmente, ficou marcado negativamente. Relatos dizem que a platéia foi saindo aos poucos do evento.

Um pouco contraditório, sim, mas nada que prejudicasse a carreira do maior guitarrista de todos os tempos. E mesmo chapado e sem ensaiar, quando o cara é bom não tem jeito. Ele apresentou uma versão do hino americano com sons de bombas e de tiros que conseguiu tirar de sua guitarra. Causou muita polêmica e conseguiu até desviar um pouco da atenção das pessoas para o fato de ter se entupido de êxtase.

E por falar em polêmica, ele eternizou sua imagem no cenário rock fazendo algo, no mínimo, inesperado. Depois de Pete Townshend do The Who inaugurar a destruição de guitarras, Hendrix não só quebrou a sua guitarra mas também tacou fogo nos pedaços.

Em meio a altos e baixos, genialidade e imbecilidade, ainda sim sua carreira teve um saldo positivo que perdura até os dias de hoje. Ele faleceu em Londres, em 18 de Setembro de 1970. Um médico confirmou que Jimi morreu afogado em seu próprio vômito. Provavelmente utilizando drogas. Isso me faz pensar: de que adianta ganhar o mundo, ter fama, e morrer assim tão indignamente? Mas apesar dessa tragédia, Hendrix sempre será lembrado pelo que fez de bom. Pelas suas melodias incríveis, suas superações, pela influencia que teve e que ainda tem em muitos guitarristas, pelo seu talento... Mas, principalmente, será lembrado por revolucionar a música tocando com a alma e com o coração na ponta dos dedos, sentindo a música e vibrando com cada nota tocada.

Uma homenagem ao mestre dos mestres na arte de tocar guitarra.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Rock como o conhecemos


Inaugurando o Blog no dia mundial do Rock (13/07/2009), gostaria de comentar sobre os maiores responsáveis pelo rock como o conhecemos. Apesar de ter nascido no fim da década de 40 e início da década de 50, e de ter nomes como Elvis, Chuck Berry, Bill Haley e outros músicos importantes do cenário rhythm and blues, da soul music e da surf music, o rock realmente tomou forma na década de 60. Essa década está marcada na história da música e do rock como a década da transgressão e da rebeldia.

Muitas bandas participaram da criação do rock como o conhecemos hoje. Eu levaria uma boa parte do texto somente para citar todas as bandas, por isso quero citar somente as que, em minha opinião, foram as mais importantes e que permanecem atuais até hoje: Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, The Doors e The Who.

Os Beatles talvez sejam a mais importante de todas. Depois do fenômeno Elvis Presley, eles foram os que tiveram mais destaque na mídia da época e chegaram a desviar a atenção do atual rei do rock e roubaram os holofotes para si. "I Want to Hold Your Hand" foi com certeza o maior sucesso do Beatles. Particularmente, a minha favorita é “You've got to hide your love away”. Mas o fato é que eles abriram a porta para outras grandes bandas aparecerem na mídia e acredito que foram os grandes responsáveis pela difusão do rock.

Quando os Stones apareceram, todos pensaram que seria algo na linha dos Beatles. Apesar das semelhanças, os Stones sempre foram mais rebeldes e mais complicados que os Beatles. Mas de igual importância. Trouxeram um rock um pouco mais sujo que o dos Beatles e conquistaram o mundo também. Apesar de eu não ser fã dos Stones, eu respeito muito a banda e indico um grande sucesso deles, “Satisfaction”.

Outra banda importantíssima para a história do rock, mais precisamente do rock progressivo, foi o Pink Floyd. A banda foi se destacando no cenário underground da Inglaterra e rapidamente ganhou o mundo com uma sonoridade inédita e diferente de tudo que se ouvia. Admiro muito o Pink Floyd e recomendo o álbum “The dark side of the moon”, considerado uma obra prima.

Nascida exatamente no meio da década de 60, a banda The Doors trouxe uma característica muito legal para o rock, a utilização do teclado solando nas músicas. O grande Ray Manzarek criou arranjos muito bons de teclado misturando blues e música clássica, e junto com o vocalista Jim Morrison fundou o Doors após a criação da letra de “Moonlight Drive”. E a música que eternizou a banda no cenário rock mundial foi “Light my Fire”.

Protagonistas do momento mais marcante do rock, o The Who surgiu em 1964 tocando o terror, literalmente. Pete Townshend, um dos maiores guitar heroes de todos os tempos, destruiu sua guitarra num show e levou a galera ao delírio. Keith Moon destuiu sua batera também, e a banda ficou conhecida no mundo todo por causa disso. Obviamente que o som dos caras é que foi o responsável pelo sucesso, mas diferente das outras bandas rebeldes da época, ele foram além. Adoro a baladinha "Behind Blue Eyes" e o clássico "The Seeker".

Além dessas que considero as principais e mais marcantes bandas de rock da década de 60, gostaria de citar também uma mulher, a única que me lembro, que contribuiu grandemente para a divulgação do rock, a grande e única Janis Joplin. E talvez você esteja se perguntando, cadê o maior de todos, o maior guitarrista de todos os tempos, o grande Jimi Hendrix? Simples, ele é tão grande e tão importante para o rock que merece um texto só pra ele.